sábado, 21 de dezembro de 2013

Manoel de Barros


 
"A importância de uma coisa não se mede com fita métrica,
nem com balanças, nem barômetros, etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida
pelo encantamento que a coisa produza em nós."

domingo, 8 de dezembro de 2013

Adélia Prado



"Eu sou uma mulher sem nenhum mel
eu não tenho um colírio nem um chá
tanto a rosa de seda sobre o muro
minha raiz comendo esterco e chão.
Quero a macia flor desabrochada
irado polvo cego é meu carinho.
Eu quero ser chamada rosa e flor
eu vou gerar um cacto sem espinho."

Adélia Prado

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Rubem Alves



Nós não vemos o que vemos,nós vemos o que somos.
Só veem as belezas do mundo,aqueles que tem belezas dentro de si.


Rubem Alves

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Gratuidade das Aves e dos Lírios


 ‘Sempre que a gratuidade ousa em minhas palavras,
elas são abençoadas por pássaros e por lírios.
Os pássaros conduzem o homem para o azul,
para as águas, para as árvores e para o amor.
Ser escolhido por um pássaro para ser a árvore dele:
eis o orgulho de uma árvore.
Ser ferido de silêncio pelo vôo dos pássaros:
eis o esplendor do silêncio.
Ser escolhido pelas garças para ser o rio delas:
eis a vaidade dos rios.
Por outro lado, o orgulho dos brejos é o de serem escolhidos
por lírios que lhes entregarão a inocência.
(Sei entrementes que a ciência faz cópia de ovelhas, que a ciência produz seres em vidros -louvo a ciência por seus benefícios à humanidade, mas não concordo que a ciência não se aplique em produzir encantamentos.)
Por quê não medir, por exemplo, a extensão do exílio das cigarras?
Por quê não medir a relação de amor que os pássaros tem com as brisas da manhã?
Por quê não medir a amorosa penetração das chuvas no dentro da terra?
Eu queria aprofundar o que não sei, como fazem os cientistas, mas só na área dos encantamentos.
Queria que um ferrolho fechasse o meu silêncio,
para eu sentir melhor as coisas incriadas.
Queria poder ouvir as conchas quando elas se desprendem da existência.
Queria descobrir por quê os pássaros escolhem a amplidão para viver
enquanto os homens escolhem ficar encerrados em suas paredes.
Sou leso em tratar com máquina; mas inventei, para meu gasto,
um Aferidor de Encantamentos.
Queria medir os encantos que existem nas coisas sem importância.
Eu descobri que o sol, o mar, as árvores e os arrebóis são mais enriquecidos pelos pássaros do que pelos homens.
Eu descobri, com o meu Aferidor de Encantamentos, que as violetas e as rosas e as acácias são mais filiadas dos pássaros do que os cientistas.
Porque eu entendo, desde a minha pobre percepção, que o vencedor, no fim das contas, é aquele que atinge o inútil dos pássaros e dos lírios do campo.
Ah, que estas palavras gratuitas possam agora servir de abrigo para todos os pássaros do mundo!’

Manoel de Barros
 

sábado, 23 de novembro de 2013

Cora Coralina



"Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."

 Cora Coralina

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Meditação -Thich Nhat Hanh



"A meditação não é para nos ajudar a fugir das dificuldades. Ela é feita para permitir que uma cura positiva aconteça. Meditar é aprender a parar de se deixar levar pelos nossos arrependimentos sobre o passado, a nossa raiva ou desespero no presente, ou as nossas preocupações com o futuro."

domingo, 20 de outubro de 2013

Quem ama inventa - Mario Quintana


Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Oh! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

(Mario Quintana - A cor do invisível)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Presente




O momento presente
contém o passado e o futuro.
O segredo da transformação
está no modo como lidamos com este exato momento.
 
Thich Nhat Hanh

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Livros

“Um livro aberto é um cérebro que fala; fechado, um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora.”

Tagore

sábado, 21 de setembro de 2013

Fernando Pessoa




“Mover-se é viver, dizer-se é sobreviver. Não há nada de real na vida que o não seja porque se descreveu bem. Os críticos da casa pequena soem apontar que tal poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. 
Temos pois que conservar o dia bom em uma memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira. Tudo é o que somos, e tudo será, para os que nos seguirem na diversidade do tempo, conforme nós intensamente o houvermos imaginado, isto é, o houvermos, com a imaginação metida no corpo, verdadeiramente sido.
Não creio que a história seja mais, em seu grande panorama desbotado, que um decurso de interpretações, um consenso confuso de testemunhos distraídos. O romancista é todos nós, e narramos quando vemos, porque ver é complexo como tudo.
Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.”

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Thich Nhat Hanh




"As vezes,uma ou duas palavras amáveis são suficientes para ajudar alguém a desabrochar como uma flor."
Thich Nhat Hanh

quinta-feira, 7 de março de 2013

Charles Chaplin



"Mais do que máquinas precisamos de humanidade.
Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura."


- Charles Chaplin -

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Além da Terra, além do Céu -Drummond


Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
Vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempre amar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

***

 Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.

Rubem Alves
*
 
*
 
*

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Rubem Alves




"Não sabia que era precisamente esse fracasso que me levaria ao lugar que desejava.

As correntes do rio profundo foram mais generosas que o meu remar contra elas. Não cheguei aonde planejei ir.

Cheguei, sem querer, aonde meu coração queria chegar, sem que eu o soubesse."

Rubem Alves


*



*



*

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Cecília Meireles



Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Hilda Hilst



Lobos? São muitos.

Mas tu podes ainda

A palavra na língua

Aquietá-los.


Mortos? O mundo.

Mas podes acordá-lo

Sortilégio de vida

Na palavra escrita.


Lúcidos? São poucos.

Mas se farão milhares

Se à lucidez dos poucos

Te juntares.


Raros? Teus preclaros amigos.

E tu mesmo, raro.

Se nas coisas que digo

Acreditares.


Hilda Hilst

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Gato que brincas - Fernando Pessoa

 
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

[Fernando Pessoa, Janeiro de 1931]
*
*
*

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Encerrando ciclos

  "Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"
"Momento Ideal"... paraliza a vida, impede que o presente surja do futuro desejado, mantendo-nos no passado sem esperança da amada felicidade...!"

 

Autor desconhecido

sábado, 29 de setembro de 2012

Foi assim



Foi assim
Que eu vi você
Passar por mim
E quando pra você eu olhei
Logo me apaixonei
Foi assim
O que eu senti
Não sei dizer
Só sei que pude então compreender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver
Mas foi tudo um sonho
Foi tudo ilusão
Porque não é meu
O seu coração
Alguém roubou de mim
O seu amor
Me deixando nessa solidão
Foi assim
E agora o que é que eu vou fazer
Pra que você consiga entender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver
Foi assim
O que eu senti
Não sei dizer
Só sei que pude então compreender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver
Mas foi tudo um sonho
Foi tudo ilusão
Porque não é meu
O seu coração
Alguém roubou de mim
O seu amor
Me deixando nessa solidão
Foi assim
E agora o que é que eu vou fazer
Pra que você consiga entender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver



 Renato Correa e Ronaldo Correa